Busca por emprego (2)

Seguindo o que postamos ontem, me lembrei do melhor post que vi até hoje sobre a profissão de Engenheiro no Canadá. O Pacotes Congelados é um blog que está “parado” nas postagens mas que o André (que o escreveu) manteve ativo FYI.

Troquei uns emails com o André, que é Engenheiro Eletricista, sobre o mercado no Canada e ele me ajudou muito!

Compartilho aqui o referido post: http://pacotescongelados.blogspot.com.br/p/dicas-profissionais.html

Resumindo, o que ficou de mais importante nesse post em relação à profissão de engenheiros no Canadá – em vinho a escrita do André – (e algumas “surpresas”):

  • “No Canadá, vale a especificidade, conhecimento e experiência em uma determinada área de trabalho” – nada de descrições pomposas de cargo se você não executa a função que o empregador precisa! O que vale pro lá é especificidade e expertise!
  • “Eles aqui não te conhecem, então você falar que tem um perfil “generalista”, infelizmente não conta muito, generalista por generalista tem um monte disponível por aqui” – ser o pau pra toda obra e não saber descrever especialmente o que você faz de bom não vai te ajudar em nada. Vamos procurar, enquanto estamos aqui, nichos de atuação.
  • “É fato que há um enorme preconceito com quem nunca trabalhou no Pais, é a tal “falta de experiência canadense” que tanto atrapalha quem chega aqui” – já mencionei no post anterior, contorna-se com voluntariado, subemprego (difícil de conseguir pois dependendo da sua qualificação o cara vai sacar que é só um trampolim) ou como mencionado abaixo…indicação!
  • “Cada 100 CV`s enviados rendem umas 5 entrevistas, a estatística na procura pelo primeiro emprego é mais ou menos essa.” – dado importante para não se deixar abater nos primeiros meses…
  • “É  muito comum as empresas fazerem a primeira entrevista pelo telefone, mesmo que o escritório seja na rua em que você mora !!” – sim, para testar seu inglês! Olha quantos imigrantes que aparecem enviando CV todo dia?
  • “Peso da faculdade federal… Prepare um belo PORTFOLIO profissional para mostrar ao entrevistador, com exemplos que ressaltem seu conhecimento técnico e experiência profissional.” – A priori eles não sabem o que é UFRJ, UFMG…o que vale mesmo é sua experiência!
  • “CUIDADO: Fazer o “reconhecimento de diploma” é  APENAS UM DOS requisitos para obter a certificação profissional no Canada, é necessário MAS NÃO É suficiente.” – No Canada a profissão de Engenheiro é regulamentada pelas APEGs, mas vou continuar com o texto do amigo pois ele explicou algo que me surpreendeu e motivou muito!:

“PORÉM….dentro desse quadro pessimista, há algo bom: normalmente o profissional PODE trabalhar na sua área, desde que seja sob a supervisão de um outro profissional que tenha a certificação.

Em Engenharia, isso é  muito comum. Tradicionalmente (no Brasil ou em qualquer lugar do mundo), apenas o Gerente de Engenharia ou o “Head of the Department” é que assinam os projetos, são estes que colocam o “carimbo do CREA” no papel; os outros engenheiros que fazem parte da equipe, mesmo que tenham a certificação profissional, não a usam, não precisa. Ou seja, o profissional pode trabalhar a vida inteira como engenheiro sem nunca ter sequer  passado na porta do Conselho Profissional. Lado negativo ? Obvio, o cara nunca vai poder ser promovido a Chefe do Departamento.”

A OBTENÇÃO DO CREA CANADENSE – O TÍTULO DE “PROFESSIONAL ENGINEER”

A obtenção do título de “P.Eng.” em no Canadá em geral é uma tarefa trabalhosa, cu$to$a, mas não é difícil. Vou dividir em três partes:

1) Aceitação da sua experiência profissional

Você tem que ter no mínimo 4 anos de experiência de trabalho como engenheiro, sendo que 1 desses anos deve ter sido obtido necessariamente trabalhando no Canadá, sob a supervisão de um “P.Eng.”. Você então deverá escrever um resumo de no mínimo 10 e no máximo 25 páginas relatando em detalhe toda sua experiência; esse relatório deverá vir acompanhado de pelo menos 4 referências, duas delas necessariamente “P.Eng.”.

Vá fundo, use suas 25 páginas, conte absolutamente tudo o que você tiver feito de trabalho técnico na sua vida, nos mínimos detalhes; mas não encha linguiça, senão eles vão perceber e o tiro vai sair pela culatra. Capriche no inglês, se eles suspeitarem em algum momento que seu inglês não é bom, vão pedir comprovação de fluência e sapiência gramatical. Não tenha pressa, eles pedem no mínimo 1 ano de experiência profissional em solo canadense, mas quanto mais tempo você tiver trabalhado por aqui, mais conhecimento você terá adquirido e passará uma impressão mais positiva, a sua experiência em outro País não terá muito peso e poderá sempre levantar possíveis desconfianças…..eles querem que você tenha experiência aqui, com referências aqui do Canadá. Será importante você ter o P.Eng. quando for procurar o segundo emprego, portanto um ano antes de sair do seu primeiro emprego você deverá para mandar o resumo, antes disso não lhe será vantajoso. É bom lembrar que o título de P.Eng., provavelmente, lhe dará apenas uma condição de empregabilidade melhor, não será motivo para um aumento salarial imediato, supondo que você tenha arrumado seu primeiro emprego trabalhando como engenheiro (apesar de não poder até então usar o título).

2) Aceitação da sua qualificação acadêmica

As “APEG’s” Canadenses (“CREAs” provinciais) não tem convênio com nenhuma faculdade brasileira. Para aceitar sua qualificação, eles pedem:

– Original do histórico escolar e ementas das matérias do curso enviados direto pela sua Universidade; tem que chegar pra eles em envelope timbrado da Universidade, o envelope não pode ter passado pelas suas mãos.
– Cópia do seu diploma
– Traduções juramentadas dos documentos acima, peça ao tradutor para enviar diretamente para a APEG, sem passar pelas suas mãos (e economize no correio).

Então eles vão fazer o estudo da “equivalência do seu diploma”; se você seguiu o conselho do tópico anterior e já fez por outra instituição, aproveite e peça para a instituição enviar para a APEG também (nada pode passar pela suas mãos), isso ajuda; mas eles vão fazer a avaliação deles de qualquer jeito.

Se você tiver menos de  7 anos de formado, eles vão exigir que você faça provas técnicas, o negócio é meio complicado pois eles impõe restrições ao uso de calculadoras, etc, etc.

Se tiver mais, eles a princípio vão te chamar para uma “entrevista técnica” com 3 engenheiros da sua área; é como se fosse uma defesa de projeto final ou tese de mestrado, você diante de uma banca; esta etapa serve também para avaliação do seu conhecimento de inglês. Se você for aprovado, estarás dispensado de fazer provas. Caso contrário, eles vão mandar voce fazer provas nas matérias que eles acham que você está fraco, além de poderem mandar você de volta pra Cultura Inglesa.

Há casos em que eles dispensam não só das provas mas também da entrevista; aprovam direto.

3) Provas de Ética, Lei e Profissionalismo

Como mencionado acima, você tem que passar numa prova de lei e ética denominada “Professional Practice Exam” (PPE), essa não tem jeito, todos têm que fazer. São 100 questões de múltipla escolha e uma redação, mas é fácil, tem que ficar uns 3 dias com a cara enfiada em 2 livros base, mas feito isso, é tranquilo.

Você tem ainda que participar do seminário de “Lei e Ética”, uma alternativa é comprar os CD-ROMs com o material do curso, nesse caso você não precisará assistir o seminário.

Em todas as APEG’s o processo é bem parecido.” 

Apenas acrescento uma coisa que eu descobri: a APEG de Alberta submete sua experiência no Brasil a uma banca de profissionais, se eles acatarem seu pedido, toda sua experiência brasileira conta como Canadense para o processo!

  • “Há uma coisa muito ruim por aqui que não há no Brasil, são as chamadas “screening interviews”. Acontece quando a empresa NÃO TEM a vaga de fato em aberto, disponível, mas eles publicam anúncios pedindo candidatos, para ficarem de olho se “um dia” eles precisarem” – importante saber e monitorar vagas que nunca saem dos bancos, para não subir expectativas.
  • “No Canadá, o trabalho não tem “grife”, ter trabalhado em grandes empresas como Exxon, Xerox ou ABB a princípio, infelizmente, não lhe traz nenhuma vantagem significativa – como parece acontecer no Brasil” – ficamos muito surpresos com esse fato :0 .
  • “Entenda-se por PROJECT MANAGER o sujeito que tenha gerenciado projetos de fato, projetos que tenham tido inicio, meio e fim, não adianta sair chamando qualquer coisa que tenha feito de “projeto” porque não cola, vai ficar a ver navios. O profissional deve ser capaz de apresentar seus projetos em um consistente portfolio – A boa noticia: se é este o seu caso, “adapte” seu CV para que pelo menos tenha algo que “lembre” um Project Manager, e, acima de tudo, obtenha a certificação internacional PMI ! Ela é muito bem valorizada por aqui.” – Dispensa comentários, tiraremos a PMP este ano!
  • “É fundamental publicar o seu perfil completíssimo no LINKEDIN, essa é a principal ferramenta de busca de empregos hoje em dia, este site de relacionamentos profissionais está  infestado de head hunters ! Alem disso, você deve preencher a ficha completa nos sites Workopolis, Monster, Jobboom, Job Bank e Eluta, entre outros.” – como já falei no outro post =)
  • “Outro fator importante é saber aproveitar a PRIMEIRA porta que se abre ! Lembre-se, o maior desafio do imigrante é vencer o PRECONCEITO que os empregadores tem com quem nunca trabalhou no Pais, então, você NÃO PODE deixar passar a primeira boa oportunidade que aparecer.” – já somos assim no Brasil, lá não será diferente… lembrei-me da experiência de um casal (vou fazer um post sobre eles pois me marcou muito) que viveu mais de ano em cidades separadas pois foi a oportunidade que o marido conseguiu e a esposa estava com visto de estudante =0
  • “Canadense só contrata quem ele conhece” – A indicação pessoal tem muito peso, o fato de um funcionário te indicar na empresa em que ele trabalha conta muitos pontos, é um diferencial muito significativo.” e como conseguir networking em um novo país? O André cita ir nas palestras do Conselho Profissional de sua área, fazer business cards e mini CVs para distribuir nesses encontros (a quem pedir gente!) 
  • “Eles aqui fazem os chamados “cold calls”, em que você simplesmente telefona pro D-O-N-O da empresa em que quer trabalhar e pede para “bater um papo”, é a tal “informational interview”– será gente? rs!
  • Nas províncias, há diversas “ONG’s” que oferecem programas de apoio profissional ao imigrante recém-chegado… os programas são grátis.” – assim que optarmos por uma cidade inicial vamos buscar estes programas, me pareceram muito bacanas!
  • “Indicação profissional é uma coisa, REFERÊNCIA PROFISSIONAL é outra completamente diferente – e os empregadores aqui sabem disso muitíssimo bem.” – e dizem que eles ligam de fato para seus antigos empregadores no Brasil para perguntar de você… a indicação é apenas um primeiro filtro. Vamos construir boas relações com os chefes no Brasil? =)
  • “Você passou vários anos se preparando para imigrar, tens Doutorado, falas três idiomas fluentemente, e aí chega aqui e as pessoas te dizem que você é super qualificado – overqualified – vale a seguinte regra: se a posição não pede Mestrado, tire-o do CV. O empregador vai sempre ter receio de contratar um cara “over”, que vai sair do emprego no mês seguinte, após ter colocado no CV e espalhado na Internet que já tem a tão necessária “canadian experience”. – também ficamos muito impressionados com essa parte…:0

Adoramos conhecer a experiência do André e foi o fato de apenas encontrar o blog dele falando sobre o mercado de engenharia que nos motivou a criar este… E vocês, o que acharam?

Mrs PEng

 

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